Do tenho que ao ritual criativo

Como pequenas ações criam raízes de liberdade

Quantas vezes deste por ti a dizer em silêncio, tenho que responder àquela mensagem, tenho que preparar a sessão, tenho que aprender a mexer no capcut, tenho que…?

O tenho que parece uma sombra constante, ele dá a sensação de urgência, mas raramente cria liberdade. Pelo contrário, quantos mais tenho ques, menos espaço sobra para a tua criatividade florescer.

O poder de um gesto repetido

A diferença entre estar perdida no meio de tarefas soltas e sentires-te guiada por uma rotina clara, não está na quantidade de esforço, está, sim, na qualidade do gesto que repetes todos os dias.

Não é o fazer mais, é o fazer com intenção.

Um ritual não é uma prisão, é uma raiz. É aquilo que mesmo nos dias caóticos lembra-te quem és e para onde vais.

Ritualizar, liberta a tua mente da necessidade de ter que pensar no que tens que fazer para a liberdade de poderes criar em cima do que já estás automatizada para fazer.

Um dos meios que mais gosto para criar essa rotina é o caderno e uso-o como um altar onde registo e transformo. Aprendi com Ryder Carol que posso ter um momento criativo dentro do caos sem culpa através do bullet journal e uma das primeiras práticas é o inventário mental.

Num só lugar escreves:

O que estás a fazer

O que deverias estar a fazer

O que gostarias de estar a fazer

Parece banal, mas neste pequeno gesto transformas o caos em clareza. Aqui para nós, este passo já me impediu de deitar tempo fora em tarefas que pareciam de importância extrema, que colocados no inventário passaram a prioridade zero. Com este pequeno gesto deixas de viver em reação e passas a agir com escolha, com autoridade sobre as tuas próprias ações.

A partir daqui surge a pergunta essencial: O que é mesmo determinante para hoje?

A voz que bloqueia

E como quero que sigas neste inventário, sabendo exatamente o que te espera, sabe que perante esta pergunta muitas vezes bloqueamos, porque sabemos que não é apenas uma questão de organização, muitas vezes é resistência ao que nasce de dentro.

Talvez tenhas ouvido aquela voz que diz:

“Se deres o passo vais falhar” ou “Não és suficientemente boa”

No meu eBook A pergunta secreta que transforma vidas, convido-te a dar um nome a essa voz, a chamá-la pelo que é. A dona descrença, a tia critica ou a síndica da vergonha. Isso vai tirar-lhe parte do poder. Deixa de ser um fantasma invisível e torna-se uma personagem que já não controla a tua história.

Ritual diário

Propõem-te a este exercício durante duas semanas:

Abre o teu caderno todas as manhas e escreve

O que é essencial para ti hoje
O que é dispensável hoje
O que a tua voz critica diz e a resposta que lhe dás.
Faz disto um ritual diário de raiz. Não precisas de grandes revoluções, só de um gesto repetido diariamente.

Pequenas raízes, grandes liberdades.

O caminho para te tornares a mulher que lidera o seu método, não nasce de um esforço sobre-humano. Nasce da soma de pequenas raízes, uma rotina clara, um caderno que organiza, um ritual que liberta.

O tenho que dissolve-se quando, todos os dias, dizes a ti mesma. Não tenho que tudo, tenho que sim ser fiel ao que é essencial.

É neste lugar que a liberdade floresce.

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